segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Raras diferenças entre as estiagens


O drama vivido pela população durante a estiagem se repete, mas há redução de mortes por fome

Políticas de emergência, com barulhos de sirene para conseguir passar. Era assim no passado. E continua. Em 1º de outubro de 1981, por exemplo, os jornais estampavam as boas novas. João Baptista Figueiredo, mais um dos presidentes emocionados com o Nordeste, liberava 5,1 bilhões de cruzeiros, R$ 386,7 milhões em valores atuais, para combater os efeitos da seca. Na época, os recursos chegaram à região por meio da Sudene como uma dádiva dos céus. Agora, o milagre se repete, depois de pressões políticas.
Na última sexta-feira, Dilma Rousseff anunciou um reforço de R$ 1,8 bilhão para programas de água em reunião com o Conselho da Sudene, sendo a maior parte para barragens e adutoras. Contudo, a meta mais importante para a população ainda está longe de ser atingida: a construção de um milhão de cisternas.
Coordenadora da Asa Brasil em Pernambuco, instituição que reúne 600 entidades civis do semiárido, Neilda Pereira explica que a solução mais adequada para a região é a construção de cisternas rurais. Ela diz que já foram feitas 500 mil em parceria com o governo federal, mas lembra que o programa precisa ser agilizado.
Segundo outros especialistas entrevistados pelo Diario, há uma semelhança e uma diferença entre a seca de 2012 e as outras estiagens mais prolongadas do passado – entre as décadas de 1970 e 1980. O pesquisador João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, explica: a exemplo de períodos anteriores sem chuva, o deste ano tinha sido previsto pelo Centro Aéreo Especial de São José dos Campos, que estuda o tema desde 1978. “Era previsível e ninguém tomou nenhuma medida estruturadora”, reclamou. Ainda de acordo com ele, a diferença é ausência de saques a supermercados e mortes de pessoas em virtude da fome.
Para a socióloga e doutora em economia Tânia Bacelar, o maior avanço foi a redução da fome a partir da ampliação da previdência para o meio rural, desde a Constituição de 1988, e programas sociais como Bolsa Família. “Antes, havia a criação de frentes de emergências de emprego, saques a supermercados, muita fome. Hoje, não há mais a fome epidêmica, como dizia Josué de Castro”. (Aline Moura)
Saiba mais
A seca de 2012
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) avalia que a posição dos reservatórios no mês de outubro passado foi o pior dos últimos 83 anos.
A capacidade dos reservatórios do Nordeste era de 32,58% na última sexta-feira, 9 de novembro, segundo o ONS.
A seca mais prolongada aconteceu entre 1979 e 1984.
A de 1970 também está entre as piores do Nordeste.
A diferença entre as secas de antigamente e a de hoje são menos mortes de pessoas por fome, ausência de saques a supermercados. Nem governo, nem ONGs tem dados comparativos.
Mais de 20% dos municípios do semiárido estão em estado de emergência.
Ao todo são 1.187, sendo 111 em Pernambuco.
O estado mais afetado é o da Bahia, com 250 municípios em situação de emergência
e 2.7 mil pessoas afetadas.

O ranking da seca é seguido pelo Ceará e Pernambuco, respectivamente com 1,9 mil
e 1,1 mil pessoas atingidas.

Até outubro, foram pagos R$ 251,8 milhões do Bolsa-Estiagem pelo governo federal. Pernambuco recebeu 27.370.240,00, o terceiro do ranking.
O Garantia-Safra investiu R$ 473,4 milhões até outubro.
Os pernambucanos receberam R$ 69,8 milhões.
Fonte: ONS e Ministério da Integração Nacional

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