sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Juventude rural e urbana pelo fim da miséria

Erradicação da miséria se faz com reforma agrária, sucessão rural e democratização da terra


O combate à miséria coloca-se hoje como um dos percalços para o governo e a sociedade brasileira. Existem hoje no Brasil cerca de 16,2 milhões de pessoas que ainda permanecem em situação de extrema pobreza, afetando principalmente uma parcela representativa de jovens.

Durante o II Festival das Juventudes em Fortaleza, o representante do governo, Geronimo Rodrigo, fez uma apresentação do Plano Brasil sem Miséria que visa a alteração desta realidade.

Para Daniela Celuppi, secretária de Juventude da Fetraf-Sul, o Plano traz premissas importantes no projeto de erradicação da miséria, mas isso só será possível se houver investimentos efetivos na agricultura familiar, especialmente aqueles voltados à juventude.

“Para falarmos em um país sem miséria é necessário a existência de uma juventude rural organizada, tendo condições de se manter na terra e com condições plenas para produzir. Nós, movimentos de trabalhadores e trabalhadoras rurais, queremos que o governo avance no entendimento da juventude como estratégica na construção de uma nova sociedade. Conquistamos grandes avanços no governo Lula com a juventude saindo da invisibilidade, mas a luta agora é para fazer com que de fato estas políticas públicas articuladas sejam implementadas”, pontuou Daniela.

Já Jocelino Dantas, da Contag, lembrou que não dá para falar no Plano Brasil Sem Miséria se não houver articulação com outras partes, em essencial, aquelas voltadas aos direitos sociais. Para ele, a iniciativa do governo é válida, mas é preciso ver sua regulamentação na prática dialogando com questões como a reforma agrária e democratização da terra.

“Devemos repensar as relações sociais no campo e em especial na agricultura familiar. Não basta apenas garantir renda, é preciso garantir direitos enquanto cidadãos, sujeitos de direito no processo. Por isso, o Plano deve articular o debate sobre sucessão rural, reforma agrária e democratização da terra”, sublinha Jocelino.

O dirigente também foi enfático ao afirmar que o combate à miséria passa pelo comprometimento do governo com a diminuição dos juros, fim do superávit primário e do poder corporativista dos bancos. “Do contrário, não vamos dar conta de erradicar a miséria. É uma pauta que precisa do tensionamento e da unidade dos movimentos sociais”, complementa.

Reforma Política

O II Festival colocou no centro dos debates um tema de importante relevância para o conjunto da sociedade brasileira. Os deputados federais Eudes Xavier e Artur Bruno, ambos do PT (Partido dos Trabalhadores), trouxeram informações sobre o andamento e o embate que vem sendo travado na Câmara Federal.

Para Eudes, quando se fala em reforma é preciso pensar em mecanismos que amplie os espaços de participação do povo, como financiamento público de campanha e o voto em lista fechada, tão fundamentais para fortalecer a organização partidária e para expandir a democracia, a  igualdade e a transparência no processo eleitoral brasileiro. Mas Eudes alerta: a burguesia vem se movimentando no sentido de boicotar o debate ou financiando uma discussão alinhada ao conservadorismo.

“Da mesma maneira que financia o debate contrário a reforma agrária, democratização das comunicações e do Judiciário Federal. E é ai que entra o papel da juventude mobilizando seus pares seja em grandes atos e debates como este Festival ou atividades nas redes sociais, pautando a reforma política que o povo quer”, destaca Eudes.

Artur Bruno complementou lembrando da importância do fortalecimento de outros mecanismos  como plebiscitos e referendos, “criando instrumentos diretos de participação do povo, aprofundando a democracia em nosso país”.

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