sábado, 15 de dezembro de 2012

O Boer, sim senhor !



Ali estavam 200 animais para apreciação, com 100 em julgamento - uma demonstração de pujança que merece todo respeito dos brasileiros.
Há alguns estudiosos que não apreciam o Boer, simplesmente por ser exótico. Afirmam que “as cabras sempre foram laticínios ambulantes, sendo a carne um subproduto do leite”.  Estão certos, pois a realidade durante muitos milênios era: a cabra para leite e o cordeiro para a carne. Não existiam, então, caprinos para corte? Historicamente, existiam caprinos que conseguiram sobreviver a mil peripécias em montanhas escarpadas, onde só eles chegavam. Nessa maratona, tornaram-se mais musculosos, adequando-se ao transporte de um úbere de pequeno porte. Produziam leite apenas para as crias. Eram, porém, de pouca serventia para o ser humano, servindo apenas para serem caçados. Já as cabras domesticadas produziam leite e peles, dois produtos que ajudaram a escrever a história do ser humano.
Até pouco tempo, embora os caprinos estivessem em todos os pratos, como carne, jamais se pensava em selecioná-los para tal finalidade. Chegava a ser mesmo uma heresia!
Somente recentemente, o ser humano resolveu especializar o pequeno ruminante para produção de carne. Melhorou - e muito! - os ovinos e, então, alguns criadores trataram de fazer o mesmo com os caprinos. A primeira raça desenvolvida para produção de carne recebeu o nome de Boer, na história da humanidade, para lembrar os pioneiros europeus que povoaram a África do Sul. A partir dessa experiência, várias outras raças estão surgindo e tentando ocupar um espaço no mercado mundial de carnes.
A carne, rara iguaria, já pode ser encontrada mais facilmente. Produzir carne caprina é atender um mercado altamente sofisticado, pois se trata de um produto da mais alta nobreza, para ocasiões especiais. Já a carne de cordeiro pode ser encontrada a qualquer momento, a um preço acessível.
A carne caprina, por seu lado, tem muitas virtudes, sendo especialmente indicada para quem precisa de alta digestibilidade. Até por isso, a carne pode ser preparada em pratos muito requintados.
O Boer - O Boer chegou ao Brasil pelas mãos da Emepa-PB, num gesto pioneiro, depois de ferrenha batalha travada pelo especialista Dr. Wandrick Hauss, com órgãos governamentais. Trouxe os caprinos e também os técnicos para ensinarem a tecnologia de transplantes de embriões. Foi um momento decisivo na história da caprino-ovinocultura brasileira, pois todas as operações foram assistidas por empresários que já enxergavam a atividade como uma “ferramenta econômica” importante para o Nordeste. Imediatamente, alguns empresários começaram a importar Boer. Em menos de 10 anos, já pontificavam vários rebanhos no Brasil.
O Boer, logo no primeiro cruzamento com qualquer outra raça, já produz um animal meio-sangue muito mais lucrativo, com carcaça superior. Percebendo esta vantagem, os criadores passaram a introduzir mestiços Boer como se fossem reprodutores puros - até porque não existiam animais puros em quantidade suficiente.
Hoje, quase 20 anos depois, o que se nota em todo Brasil, é que os caprinos deram um salto, em termos de carcaça. Está evidente que a caprinocultura envereda agora por dois caminhos: carne, ou leite, com decisão. No primeiro caso (carne), praticamente todos os rebanhos usaram, em algum momento, um reprodutor Boer, ou mestiço de Boer.
Pode-se, então, discutir a viabilidade histórica de um caprino exclusivamente para carne, mas não a eficiência do Boer dentro dos rebanhos. Lembre-se que a vaca Ongole, na Índia, é selecionada para leite, mas - no Brasil - recebeu o nome de Nelore (pois era ajuntada na cidade de Nellore, na Índia, antes de ser embarcada), sendo selecionada exclusivamente para carne, com absoluta predominância no cenário. Não é novidade, portanto, transformar uma raça leiteira em boa produtora de carne. Diz um ditado: “Colocar carne na vaca leiteira é tarefa fácil diante da dificuldade de colocar leite na vaca de corte”. Vale também para os caprinos.
 
O Boer chegou para cumprir um importante papel: colocar mais carne dentro das  porteiras.
O crescimento do mercado, a falta de instituições adequadas, a falta de uma cadeia organizada e outros fatores parecem reduzir a ação do Boer, mas ele está vigorosamente dentro das porteiras, para todos enxergarem que o futuro é grandioso para a raça. O uso do Boer, portanto, é caracterizado como “uma fatalidade seletiva”, ou seja, como ferramenta a ser utilizada para colocar mais carne no mestiço comum. “O Boer é o caminho mais fácil para somar carne, ou seja, lucro no rebanho” - garante Fabrício Zaccara.
- Eu mesmo tinha dúvidas quanto ao Boer, no início - confessa Fabrício. Será que aquele animal grandioso conseguiria sobreviver na caatinga? Conseguiria ficar em pé, sobre as patas traseiras, para poder alcançar as folhas catingueiras? Fiquei observando muito tempo e fiz muitas pesquisas com o Boer. Ele passou em todas.
- Na verdade, o Boer está completando sua primeira fase no Brasil - lembra Renato Galvão. Nesta fase inicial, todos quiseram testar o Boer e isso aconteceu - de fato - de uma maneira espontânea, sem qualquer regra. Todo mundo fugiu de qualquer regulamento, ou associação, ou mesmo de qualquer seleção. O animal dava resultado e isso bastava. Foi um sucesso evidente dentro das porteiras. Essa fase, porém, esgotou-se e é necessário procurar reprodutores mais qualificados para cobrirem as fêmeas atuais. Está retornando, então, a procura por reprodutores puros.
Expo Natal - A grande vitória do Boer podia ser vista na Expo Natal. Ali estavam 200 animais puros, literalmente colocados à venda. Foi a raça mais numerosa nos julgamentos, batendo até os ovinos como o Santa Inês. Em um ano de forte Seca.
A Exposição de Natal mostrou claramente a tendência da atualidade: havia 100 Boer no julgamento, representando o caprino de corte e mais 70 Saanen, representando o caprino leiteiro. Onde se juntaram tantos caprinos Saanen, num mesmo recinto?
Pode-se entender que 80% das propriedades estão interessadas em produzir caprinos para carne, no momento, utilizando o Boer. Estas mesmas propriedades reservarão 20% do rebanho para seleção e registro genealógico, como maneira de garantir o futuro. Esse é, portanto, um novo alvorecer para o Boer, agora com mais maturidade. Há dezenas de caminhos a serem escolhidos na produção de carne caprina, mas todos aproveitam as virtudes do Boer.
 
fonte do blog de nossa terra

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