quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

STTR DE ANGICOS REALIZA ASSEMBLEIA DE DELEGADOS PARA A PLENARIA DA FETARN

Neste sábado dia 15, foi realizado a assembléia do STTR de Angicos, a reunião iniciou as 09:00 horas, estiveram presentes dezenas de agricultores e agricultoras, para discutirem vários assuntos de interesse da categoria, o presidente IVANALDO ROGERIO, agradeceu a presença de todos e todas por terem comparecido a assembléia e falou do principal ponto de discução da reunião que foi a escolha dos delegados para participar da planaria da FETARN, em Natal/RN nos dias 15 e 16 de janeiro de 2012.
Em seguida as 10 horas foi também apresentado a previsão orçamentaria para o ano 2013.
Ao final foi o presidente IVANALDO ROGERIO, desejou a um feliz natal e prospero ano novo a todos e todas e em seguida todos fizeram uma oração para melhorias em 2013.

 PRESIDENTE DO STTR DE ANGICOS  - IVANALDO ROGERIO 
DA ABERTURA DA ASSEMBLEIA.

 CONTADORA DO STTR DE ANGICOS APRESENTA 
A PREVISÃO ORÇAMENTARIA PARA 2013
  
PUBLICO PRESENTE

 PRESIDENTE IVANALDO ROGERIO

 IVANALDO ROGERIO FALANDO ALGUMAS 
CONQUISTAS DO ANO 2012

 DELEGADOS PARA A PLENARIA DA FETARN
RUMO AO CONGRESSO DA CONTAG

 HORA DA ENTREGA DOS SORTEIOS

 SECRETARIO DO STTR DE ANGICOS - ALMIR MEDEIROS
ENTREGA SORTEIO A PROPRIA MÃE

 IVANALDO ROGERIO - PRESIDENTE DO STTR
ENTREGA SORTEIO A SOCIO

CONTADORA DONA FRANCISCA
ENTREGA SORTEIO A SOCIA

 ORAÇÃO PARA MELHORIAS PARA 2013

ORAÇÃO PARA MELHORIAS PARA 2013

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

ENFOC forma 3º turma de dirigentes sindicais rurais no RN


Formandos recebem certificados

A Escola Nacional de Formação da CONTAG - ENFOC celebrou essa semana de 10 à 14 a conclusão e formação da 3ª turma de dirigentes sindicais trabalhadores rurais do Rio Grande do Norte. O 3ª e ultimo módulo do curso aconteceu no Centro de treinamento João Paulo Segundo, em Ponta Negra - Natal.

Segundo informações da Secretaria Estadual de Formação da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Rio Grande do Norte - FETARN através de seu Secretário o companheiro José Edson de Oliveira (Dedezinho) o objetivo geral do curso  é Viabilizar a formação de militantes do MSTTR, de modo a aprimorar sua capacidade multiplicadora criativa e Potencializadora da ação formativa em suas áreas de atuação.

Segundo Dedezinho dentro dos objetivos gerais da formação, existe também os objetivos específicos que tem como meta:
  • Socializar e aprofundar referenciais teóricos, políticos e ideológicos que fundamentam e alimentam os ideais e a luta sindical e popular.
  • Re-avaliar e fortalecer a luta sindical, numa visão e prática transformadoras, estimulando processos de mudanças de atitudes, comportamentos e práticas individuais e coletivas, coerentes com as exigências de implementação do PADRSS.
  • Favorecer a experimentação, sistematização e apropriação de novas metodologias pedagógicas que realimentem a prática formativa do movimento sindical.
  • Fortalecer rede de educadores/as que assumam e implementem a Política Nacional de Formação do MSTTR.
  • Criar e ampliar, fortalecer e dinamizar os Grupos de Estudos Sindicais e demais processos de formação na base;
  • Promover o debate e aprofundamento sobre as questões de gênero e geração.
No primeiro Modulo tiveram como Eixo Temático Estado, Sociedade e Ideologia tendo como eixos pedagógicos Memória e Identidade e, Pedagogia para uma nova sociabilidade Fio Condutor Democracia, Participação Política e Desenvolvimento. Já no Segundo Modulo tiveram como Eixo temático História, Concepção e Prática Sindical e como Eixo Pedagógico Memória e Identidade e, Pedagogia para uma nova sociabilidade fio condutor Democracia, Participação Política e Desenvolvimento, no Terceiro ultimo modulo Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário.

fonte do blog de jocelino dantas

No interior do RN, rebanho não resiste e morre de sede e fome

fonte do blog de nossa terra
- Publicado por Robson Pires, na categoria Notas às 05:29
A TRIBUNA DO NORTE voltou esta semana às cidades visitadas em maio passado. O cenário é praticamente o mesmo. Intacta, mesmo, a esperança do sertanejo.
Preparar a forragem do gado foi substituído pela espera da ração distribuída pelo Governo do Estado. A coleta do leite se manteve, mas em menor escala, tendo em vista que o número de animais diminuiu drasticamente e os que ficaram pouco dão leite. Por último, organizar a produção do assentamento passou a ter novas obrigações. Transportar cadáveres de bois e vacas até o cemitério improvisado pelos colonos, viagens ao escritório do Banco do Nordeste de Caicó para tentar financiamentos, entre outros afazeres. Francisco das Chagas e seus 62 vizinhos fazem parte de um grupo crescente no interior do Rio Grande, o grupo daqueles que dependem quase que exclusivamente da política assistencial do poder público para persistir em seu trabalho.
Hoje pelos menos 17 mil agropecuaristas do Rio Grande do Norte contam com a ajuda de instituições públicas para manter o rebanho e a produção. O número à primeira vista impõe respeito, mas se intimida diante do universo geral de produtores do Estado. Segundo dados do Idiarn, existem hoje mais de 48 mil criadores de gado registrados no Estado. Pouco mais de três mil são atendidos pela distribuição de sorgo e milho do Governo do Estado, segundo dados da Emater. Além disso, cerca de 14 mil produtores compram milho a um preço abaixo do mercado através da Conab.
Segundo os próprios atingidos, é por conta de números como esses que a situação das comunidades rurais no interior do Estado pouco mudou desde o início da estiagem. A TRIBUNA DO NORTE visitou várias cidades em maio e registrou as dificuldades encontradas por conta da seca. Francisco das Chagas foi um dos entrevistados. Sete meses depois a situação pouco mudou. “Temos menos bichos morrendo, mas isso é porque boa parte do rebanho morreu naquela época”, lamenta o criador. Até dezembro cerca de 50 animais morreram no assentamento Seridó.
A principal dificuldade a persistir na vida das comunidades rurais do interior do Estado é a falta de pasto e água para o gado. “Existe a ração do Governo do Estado e o milho da Conab, mas nem todos os colonos conseguem ter acesso. O cadastro não contempla todos”, diz Francisco das Chagas. Com os reservatórios esvaziados e o chão tão seco que até a palma e o xique-xique começa a murchar, os produtores têm duas possibilidades: ou compram a ração ou esperam pelo Governo. Os “menores” não tem como desembolsar o necessário para comprar ração. Dependem dos governos.
Aqueles com um rebanho maior – e mais condição financeira – passaram a bancar do próprio bolso a sobrevivência do rebanho. Isso inclui contrair empréstimos, principalmente na linha de financiamento emergencial para seca, disponibilizada pelo Banco do Nordeste. Ubirajara Lopes de Araújo é um dos que conseguiu acesso ao recurso. O agricultor gastou cerca de R$ 20 mil desde maio apenas para conseguir manter em pé as 160 cabeças de gado que possui na fazenda Estreito. “A única ajuda que eu tenho é o milho comprado na Conab. O açude secou e dependemos da Operação Pipa para abastecer a casa”, aponta Ubirajara.
Com as dificuldades advindas com a seca, e que persistem desde a primeira metade de 2012, a produção de leite tem sido fortemente influenciada no Seridó. Em alguns locais, a diminuição chega a 40%.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Síntese da FETARN sobre as ações de convivência com a seca

CLICK na imagem e baixe a síntese do documento apresentado pela FETARN ao Governo do Estado sobre as ações de convivência com a seca no nosso estado.
fonte do blog de paulo jose

Governo libera mais R$ 400 milhões para municípios afetados pela seca


O governo anunciou hoje (13) a liberação de mais R$ 400 milhões para a linha emergencial de crédito para os municípios do Semiárido nordestino atingidos pela seca. O anúncio foi feito pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. O crédito está disponível para novos empréstimos, de acordo com a ministra. As condições são as mesmas...
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fonte do blog de santana do matos

O Boer, sim senhor !



Ali estavam 200 animais para apreciação, com 100 em julgamento - uma demonstração de pujança que merece todo respeito dos brasileiros.
Há alguns estudiosos que não apreciam o Boer, simplesmente por ser exótico. Afirmam que “as cabras sempre foram laticínios ambulantes, sendo a carne um subproduto do leite”.  Estão certos, pois a realidade durante muitos milênios era: a cabra para leite e o cordeiro para a carne. Não existiam, então, caprinos para corte? Historicamente, existiam caprinos que conseguiram sobreviver a mil peripécias em montanhas escarpadas, onde só eles chegavam. Nessa maratona, tornaram-se mais musculosos, adequando-se ao transporte de um úbere de pequeno porte. Produziam leite apenas para as crias. Eram, porém, de pouca serventia para o ser humano, servindo apenas para serem caçados. Já as cabras domesticadas produziam leite e peles, dois produtos que ajudaram a escrever a história do ser humano.
Até pouco tempo, embora os caprinos estivessem em todos os pratos, como carne, jamais se pensava em selecioná-los para tal finalidade. Chegava a ser mesmo uma heresia!
Somente recentemente, o ser humano resolveu especializar o pequeno ruminante para produção de carne. Melhorou - e muito! - os ovinos e, então, alguns criadores trataram de fazer o mesmo com os caprinos. A primeira raça desenvolvida para produção de carne recebeu o nome de Boer, na história da humanidade, para lembrar os pioneiros europeus que povoaram a África do Sul. A partir dessa experiência, várias outras raças estão surgindo e tentando ocupar um espaço no mercado mundial de carnes.
A carne, rara iguaria, já pode ser encontrada mais facilmente. Produzir carne caprina é atender um mercado altamente sofisticado, pois se trata de um produto da mais alta nobreza, para ocasiões especiais. Já a carne de cordeiro pode ser encontrada a qualquer momento, a um preço acessível.
A carne caprina, por seu lado, tem muitas virtudes, sendo especialmente indicada para quem precisa de alta digestibilidade. Até por isso, a carne pode ser preparada em pratos muito requintados.
O Boer - O Boer chegou ao Brasil pelas mãos da Emepa-PB, num gesto pioneiro, depois de ferrenha batalha travada pelo especialista Dr. Wandrick Hauss, com órgãos governamentais. Trouxe os caprinos e também os técnicos para ensinarem a tecnologia de transplantes de embriões. Foi um momento decisivo na história da caprino-ovinocultura brasileira, pois todas as operações foram assistidas por empresários que já enxergavam a atividade como uma “ferramenta econômica” importante para o Nordeste. Imediatamente, alguns empresários começaram a importar Boer. Em menos de 10 anos, já pontificavam vários rebanhos no Brasil.
O Boer, logo no primeiro cruzamento com qualquer outra raça, já produz um animal meio-sangue muito mais lucrativo, com carcaça superior. Percebendo esta vantagem, os criadores passaram a introduzir mestiços Boer como se fossem reprodutores puros - até porque não existiam animais puros em quantidade suficiente.
Hoje, quase 20 anos depois, o que se nota em todo Brasil, é que os caprinos deram um salto, em termos de carcaça. Está evidente que a caprinocultura envereda agora por dois caminhos: carne, ou leite, com decisão. No primeiro caso (carne), praticamente todos os rebanhos usaram, em algum momento, um reprodutor Boer, ou mestiço de Boer.
Pode-se, então, discutir a viabilidade histórica de um caprino exclusivamente para carne, mas não a eficiência do Boer dentro dos rebanhos. Lembre-se que a vaca Ongole, na Índia, é selecionada para leite, mas - no Brasil - recebeu o nome de Nelore (pois era ajuntada na cidade de Nellore, na Índia, antes de ser embarcada), sendo selecionada exclusivamente para carne, com absoluta predominância no cenário. Não é novidade, portanto, transformar uma raça leiteira em boa produtora de carne. Diz um ditado: “Colocar carne na vaca leiteira é tarefa fácil diante da dificuldade de colocar leite na vaca de corte”. Vale também para os caprinos.
 
O Boer chegou para cumprir um importante papel: colocar mais carne dentro das  porteiras.
O crescimento do mercado, a falta de instituições adequadas, a falta de uma cadeia organizada e outros fatores parecem reduzir a ação do Boer, mas ele está vigorosamente dentro das porteiras, para todos enxergarem que o futuro é grandioso para a raça. O uso do Boer, portanto, é caracterizado como “uma fatalidade seletiva”, ou seja, como ferramenta a ser utilizada para colocar mais carne no mestiço comum. “O Boer é o caminho mais fácil para somar carne, ou seja, lucro no rebanho” - garante Fabrício Zaccara.
- Eu mesmo tinha dúvidas quanto ao Boer, no início - confessa Fabrício. Será que aquele animal grandioso conseguiria sobreviver na caatinga? Conseguiria ficar em pé, sobre as patas traseiras, para poder alcançar as folhas catingueiras? Fiquei observando muito tempo e fiz muitas pesquisas com o Boer. Ele passou em todas.
- Na verdade, o Boer está completando sua primeira fase no Brasil - lembra Renato Galvão. Nesta fase inicial, todos quiseram testar o Boer e isso aconteceu - de fato - de uma maneira espontânea, sem qualquer regra. Todo mundo fugiu de qualquer regulamento, ou associação, ou mesmo de qualquer seleção. O animal dava resultado e isso bastava. Foi um sucesso evidente dentro das porteiras. Essa fase, porém, esgotou-se e é necessário procurar reprodutores mais qualificados para cobrirem as fêmeas atuais. Está retornando, então, a procura por reprodutores puros.
Expo Natal - A grande vitória do Boer podia ser vista na Expo Natal. Ali estavam 200 animais puros, literalmente colocados à venda. Foi a raça mais numerosa nos julgamentos, batendo até os ovinos como o Santa Inês. Em um ano de forte Seca.
A Exposição de Natal mostrou claramente a tendência da atualidade: havia 100 Boer no julgamento, representando o caprino de corte e mais 70 Saanen, representando o caprino leiteiro. Onde se juntaram tantos caprinos Saanen, num mesmo recinto?
Pode-se entender que 80% das propriedades estão interessadas em produzir caprinos para carne, no momento, utilizando o Boer. Estas mesmas propriedades reservarão 20% do rebanho para seleção e registro genealógico, como maneira de garantir o futuro. Esse é, portanto, um novo alvorecer para o Boer, agora com mais maturidade. Há dezenas de caminhos a serem escolhidos na produção de carne caprina, mas todos aproveitam as virtudes do Boer.
 
fonte do blog de nossa terra

"As tecnologias existem para pensar o homem no campo, mas não são incentivadas"


 
 Pesquisador da Fundaj e agrônomo, João Suassuna. | Foto: Site EcoDebate
Essa não é a primeira e nem será a última seca vivenciada por agricultores e agricultoras e populações tradicionais do Semiárido brasileiro. O ano de 2012 ficará marcado pela propagação na mídia de inúmeras notícias que dão conta da pior seca dos últimos 30 anos. Embora implique em perdas, a seca ou estiagem é um fenômeno natural. Não há como combatê-la, mas há como conviver com tais diferenças climáticas. Para isso, governos e sociedade civil precisam pensar e tornar possível políticas estruturantes. Planejar e executar somente ações emergenciais, a exemplo de carros-pipa e bolsas-estiagem, está longe de ser solução. Em entrevista à Asacom, o agrônomo e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), João Suassuna, declara que a estiagem deste ano já estava prevista a um bom tempo e lamenta que as tecnologias sociais existam para pensar o homem no campo, mas não recebem incentivos. Fala ainda de ações estruturadoras como a criação de animais mais adaptados ao clima Semiárido, e ainda sugere a criação de um sistema de crédito rural diferenciado para o Nordeste. Suassuna diz também que é importante incentivar as ações estruturadoras, antes que a seca chegue.
Entrevista
Asacom – De um lado se fala em combate à seca. A mídia vem tocando muito nesse ponto. Do outro, em convivência com o Semiárido. Qual é a sua opinião sobre esse assunto?

João Suassuna - É importante a gente começar a falar que as secas já são previsíveis. Existem estudos, desde a década de 1970, feitos pelo CTA (Centro Técnico Aeroespacial) que comprovam a existência do fenômeno. A gente já sabe que a cada 26 anos esses fenômenos existem. Eles são recorrentes. E num intervalo entre 26 anos existem veranicos, secas pequenas, menores. Então isso já é uma coisa previsível, mas o triste de tudo isso é, mesmo sabendo da previsibilidade, não se faz nada de ações estruturadoras com relação a tornar possível a convivência do homem nesse período seco. Então isso aí é que é de lamentar. A seca de 2012 vem a mostrar isso. Ela já estava sendo prevista já fazia um bom tempo. Ela aconteceu e cadê o incentivo para as ações estruturadoras? Existem muito poucos incentivos. Mas a gente tem que reconhecer que mesmo havendo pouco, existem alternativas que estão sendo postas em prática e que elas funcionam. A ASA Brasil é um exemplo disso. A sua instituição é uma prova disso. Esse programa de Um Milhão de Cisternas [O P1MC] é um programa maravilhoso. Ele já tem 500 mil cisternas implantadas. Uma cisterna de 16 mil litros, ela fornece água de boa qualidade para beber e cozinhar, não pode ser para outro uso. Suporta oito meses de falta de chuva numa região. Isso é possível para uma família de 5 pessoas. Isso é calculável. Para uma área de telhado de um metro quadrado, se chover um milímetro, você tem um litro de água. Isso é uma coisa certa. Esse programa é exitoso e a gente tem que continuar estimulando esse tipo de coisa.

Outra coisa é a pecuária de dupla função. Existem exemplos interessantíssimos no Nordeste. Como é o caso no estado da Paraíba com a criação de grandes ruminantes, oriundos da Índia e do Paquistão. Como é o caso do gado guzerá. É um gado que se adaptou muito bem as condições do semiárido e do Nordeste. É um gado de dupla função e está se desenvolvendo de uma forma magnífica. Mesmo em período de seca como a gente está passando agora, esse tipo de criação, rebanho, está produzindo leite de uma forma maravilhosa. A gente tem acompanhado na mídia, na internet, vacas desse tipo produzindo 30 litros de leite, em época de estiagem. Quer dizer, isso é uma coisa que a gente tem que incentivar. A criação de caprinos também. O plantio de xerófilas, de capim, resistentes à seca, o plantio de palma forrageira, todas essas alternativas precisavam ter sido incentivadas há muito tempo e não estão sendo. Esse é que é o problema. Entra seca e sai seca, a gente sabe que as tecnologias existem, para pensar o homem no campo e isso não é incentivado. É de lamentar uma coisa dessas.

Asacom - O que o senhor acha que podemos aprender com essa situação do momento. O senhor já apontou a pecuária de dupla função. O que mais está dando certo e que pode se continuar?

Eu não deixaria de tocar na questão creditícia. Nós temos que ter um sistema de crédito rural diferenciado aqui no Nordeste. A gente não pode nunca fazer com que haja um sistema de crédito semelhante ao que é tomado na praça. Se o produtor rural que habita o Semiárido nordestino for tirar um recurso para desenvolver os seus trabalhos de campo contando com o sistema de crédito vigente, ele está arriscado a perder sua propriedade para o sistema financeiro. Então a gente tem que ter um sistema diferenciado, que haja a possibilidade dele pagar as suas dívidas com o que produzir na sua propriedade. Isso tem que acontecer.

Asacom – O rio São Francisco tem uma importância social, econômica e cultural para os povos do Semiárido brasileiro. O rio concentra 63% da oferta hídrica do Nordeste e é dos únicos perenes a atravessar o sertão. Em um artigo seu, o senhor deu uma declaração dizendo que a construção das represas das usinas geradoras do São Francisco diluiu a atividade pesqueira e as espécies de piracema. Qual o impacto disso para as populações ribeirinhas?

A produção de energia elétrica do São Francisco é praticamente toda localizada no submédio São Francisco, que é onde existem as corredeiras, ou pelo menos existiam as corredeiras. Então, para se produzir energia houve a necessidade de se construir barramentos nos locais onde antigamente existiam as corredeiras. A gente sabe que as espécies de peixe e piracema só desovam quando sobem essas corredeiras. Então, as fêmeas ao subirem as corredeiras estimulam a sua fisiologia para desova. Uma vez construída essas represas, deixou de haver o fenômeno da piracema. Então, espécies de piracema, como o surubim é uma delas, deixaram de produzir e começaram a abortar suas desovas. Isso ocorreu e o que está acontecendo é que atualmente o peixe está sumindo do rio São Francisco. Antigamente, se pegava surubim de 30 ou 40 quilos. Hoje quando se pega um de 5 kg é uma festa. Então o peixe está sumindo e não foram tomadas providências cabíveis para esse tipo de situação. E existem soluções. A represa de Itaipú construiu um canal de 10 km para a subida do peixe. Enquanto isso, famílias inteiras que dependem do pescado estão passando necessidade.

Asacom - Falamos aqui em políticas estruturantes. Com relação às ações emergenciais que o governo vem realizado para a seca, qual a sua opinião?

Da forma como está acontecendo hoje eu sou até a favor. Se o governo não chegar com esse recurso, o cidadão vai morrer de fome. Porque ele não vai ter outro meio de vida para sobreviver. Vai acontecer o que acontecia antigamente. O governo não chegava com esse recurso, as populações saqueavam os mercados, as feiras, para ter acesso ao alimento. Hoje não acontece mais porque o governo mensalmente entrega o dinheirinho para o cidadão sobreviver. Mas isso é dar o peixe, não é ensinar a pescar. Aí eu sou contra. A gente tem que partir para incentivar as ações estruturadoras, antes que aconteçam as secas.

fonte da asa

CONTAG é eleita para a Presidência do Conselho Nacional de Saúde

FOTO: José Wilson

Aconteceu na tarde desta quinta-feira (13 de dezembro) a eleição da Mesa Diretora e da Presidência do Conselho Nacional de Saúde (CNS). A CONTAG, na pessoa da assessora de Políticas Sociais, Socorro Souza, foi eleita por 31 a 17 para a Presidência. O CNS foi criado há 72 anos e essa será a primeira vez que uma representante dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) será a presidente, inclusive será a primeira vez também que uma mulher assumirá essa função.

Para o presidente da CONTAG, Alberto Broch, essa foi uma grande conquista para o Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR). “É um reconhecimento da luta da CONTAG pelo fortalecimento do SUS, da especificidade da luta dos rurais e do nosso acompanhamento da gestão de saúde. Portanto, recebemos essa missão com muita humildade e responsabilidade”.

Já o secretário de Políticas Sociais da Confederação, José Wilson, lembrou que somente a partir de 1995 o CNS passou a ser mais democrático e representativo. Por isso, nos últimos anos, a participação da CONTAG tem sido vista como estratégica e qualificada. “A eleição do Conselho aconteceu a partir de uma construção coletiva com o campo popular e democrático e, com o apoio da CUT, as entidades viram no perfil da Confederação, no seu legado e, principalmente, na sua experiência de negociação e diálogo com o governo federal, a possibilidade de realizar um grande trabalho à frente do CNS.” José Wilson também destacou o papel fundamental da CUT nesse processo de construção da unidade entre as centrais sindicais e outras organizações que estão no CNS, além da interlocução com o governo para apoiar a candidatura da CONTAG e para fazer parte da Mesa Diretora do Conselho. “Temos certeza de que a participação da CUT na Mesa Diretora será de forma qualificada e contribuirá para o sucesso da gestão do CNS”, reconheceu.

O dirigente explicou ainda que a escolha da assessora para ser a representante da CONTAG deve-se ao fato dela ter acumulado nos últimos anos muito conhecimento na área da saúde, além da sua trajetória no MSTTR na luta pela garantia de políticas públicas de qualidade para a população rural.

A presidente eleita, Socorro Souza, destacou a importância desse espaço para o conjunto do MSTTR. “A saúde é uma demanda forte dos trabalhadores e trabalhadoras rurais. Esperamos que as FETAGs e STTRs também façam parte dos Conselhos nos estados e municípios. Uma das nossas expectativas é fazer com que o SUS tenha a cara do povo brasileiro”, disse.

O processo eleitoral do CNS para o triênio 2012-2015 foi realizado em 27 de novembro. Na ocasião, a CONTAG foi reeleita como uma das representantes dos usuários(as).
FONTE: Imprensa CONTAG - Verônica Tozzi

BRASIL COMEMORA CENTENÁRIO DE SEU MAIOR SANFONEIRO: LUIZ GONZAGA

 

No dia 13 de dezembro de 1912, uma sexta-feira, nascia em Exu (PE) o segundo dos nove filhos do casal Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus, que, na pia batismal da igreja matriz da cidade recebeu o nome de Luiz Gonzaga Nascimento.
Com apenas 8 anos de idade, ele substitui um sanfoneiro em festa tradicional na Fazenda Caiçara, no Araripe, Exu, a pedido de amigos do pai. Canta e toca a noite inteira e, pela primeira vez, recebe o que hoje se chamaria cachê. O dinheiro, 20 mil réis, “amolece” o espírito da mãe, que não o queria sanfoneiro.
A partir daí, os convites para animar festas – ou sambas, como se dizia na época – tornam-se frequentes. Antes mesmo de completar 16 anos, Luiz de Januário, Lula ou Luiz Gonzaga já é nome conhecido no Araripe e em toda a redondeza, como Canoa Brava, Viração, Bodocó e Rancharia.
Um século depois, muitas são as histórias que seus companheiros têm para contar desse homem que fez o povo brasileiro conhecer a dureza da vida no sertão, mas também levou muita alegria com sua sanfona para todo o país.
Hoje, o Brasil comemora o centenário do homem que fez história na música brasileira com seu jeito humilde, sorriso no rosto e sanfona na mão.

fonte do blog carlos costa

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Alertado em 2007 sobre a seca, agricultor estocou alimento e água e se mantém produtivo

Mesmo diante de uma das mais longas estiagens dos últimos 30 anos, o agricultor baiano Abelmanto de Oliveira mostra que com boas ideias e coragem é possível conviver com a seca, criando animais adaptados ao clima Semiárido
Ylka Oliveira - Asacom
Recife - PE

Agricultor Abelmanto enfrenta estiagem com estocagem de água e alimentos. | Foto: Arquivo Asacom
No ano de 2007, o agricultor baiano Abelmanto Carneiro de Oliveira viajou ao Ceará para participar de um encontro de agricultores. Foi lá que ouviu dizer que os anos de 2011 e 2012 seriam de estiagem braba, difíceis para as populações que habitam o Semiárido brasileiro. O recado serviu como um alerta de tsunami para quem vive em regiões suscetíveis a este tipo de fenômeno da natureza. Contrário à onda gigante que varre cidades inteiras, o Semiárido foi varrido pela falta de chuvas. Porém, a seca que é evidenciada como uma das piores dos últimos 30 anos, não afligiu tanto assim Abelmanto. Dotado de conhecimento e tecnologias sociais de convivência com a região, o agricultor garantiu estocagem de água e alimentos para os animais e consumo próprio. A atitude de Abelmanto comprova o quanto é possível se preparar para os períodos de estiagem, investindo na estocagem. Ele conta que na comunidade de Mucambo, no município de Riachão do Jacuípe, na Bahia, no ano de 2010, choveu 56 milímetros. Muito pouco para uma região onde se espera chover cerca de 800 milímetros por ano. Hoje, ele tem na propriedade de 10 hectares as tecnologias cisterna-calçadão, cisterna de consumo humano, barreiro comum, barraginha sucessiva, barragem subterrânea e barreiro trincheira. “Consigo armazenar 1,868 milhão de litros de água. Essa água serve para manter por oito meses o consumo de 55 cabeças de animais (caprinos e ovinos) e a produção, e por quatro meses o consumo próprio”, conta.
Só para manter os animais são necessários cinco mil litros de água. Quando perguntado sobre o gado em suas terras, Abelmanto diz ter optado por manter o que dá para criar na região. “A convivência é assim: tem que tirar o que não dá e manter o que tem. Tenho animais pequenos que estão dando para o leite e para comer”. A criação está sendo alimentada com o estoque de palma, feno e mandacaru.

Abelmanto também criou um sistema de produção de biogás, o chamado biodigestor. Com a junção de esterco dos animais e do bagaço da cana, passou a produzir biofertilizante e também a transformar os insumos em gás. Desde agosto, não precisa mais se preocupar com gás para cozinhar os alimentos que vão para a mesa da família.
“Estou tentando passar isso para as outras famílias. Minha casa se tornou um centro de aprendizagem. Aqui damos aulas práticas de campo com crianças e adolescentes. Hoje suspendi por causa das dificuldades da seca”, revela. Quando questionado sobre o que os agricultores/as e povos do Semiárido devem fazer para conviver com os períodos de longa estiagem, ele diz: “o primeiro passo a dar é ir em busca do conhecimento, que vale tudo, [com ele] você consegue qualquer coisa. Depois, é estocar água e alimentos para esse período. Quando você acredita, arregaça as mangas, dá certo. Digo que se é capaz quando se quer”, conclui.
O pensamento do agricultor é reforçado pela coordenadora executiva da ASA, Valquíria Lima, que diz que a convivência com o Semiárido esta intimamente ligada a capacidade de estocar: água, alimentos, sementes e conhecimentos. Assim, é possível estimular um novo olhar sobre a convivência que tenha na cultura da estocagem a base para o desenvolvimento das ações.

“Estocar água para o consumo humano, para a produção de alimentos da família e dos animais e estocar conhecimentos. E aprender a poupar. No Semiárido precisamos poupar água que é a base de tudo. Por isso, nosso incentivo aos intercâmbios de experiências, as vivências e os aprendizados que são coletivos e individuais. A convivência com o Semiárido passa por uma nova forma de olhar a realidade, interpretá-la, conhecê-la e ir experimentando a diversidade e fortalecendo a cultura de estocagem no Semiárido brasileiro”, avaliou.

Comunidade se fortalece na seca – Desde o início desta estiagem, as famílias de Mucambo se fortaleceram em grupo e conquistaram benefícios para a comunidade. Foi através da Associação Comunitária de Mucambo que veio a parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). A articulação e força da comunidade deram a oportunidade para quatro famílias produzirem bolos, doces, almoços e lanches a partir de produtos da agricultura familiar. Durante seis meses de trabalho, serão fornecidas 2.400 quentinhas de almoços (cada quentinha será vendida por R$ 7,95) e lanches (cada um a R$ 1,95) para os cursos desenvolvidos pelo SENAR na região. O lucro garantirá o sustento das famílias em tempos de estiagem.
A Associação também já conquistou outros benefícios como aquisição de trator, cisternas, bombas e barreiro trincheira, além de eletricidade para 66 famílias. O salto adiante é para se constituir como uma cooperativa, passar a emitir nota fiscal e construir uma sede própria. “Estamos otimistas, pois somos capazes de produzir e comercializar. Hoje eu sou um articulador da comunidade, pelo conhecimento que adquiri. Aqui ainda existe a cultura de não fazer estoque. Mas eu sempre digo: gente, o caminho é esse. Comecei a fazer algo para dizer que isso é possível. É possível viver com simplicidade na nossa região”, conta orgulhoso Abelmanto.

CONVITE



 Fórum de Desenvolvimento Territorial do Mato Grande FOMAG
Convite:
Seminário para discutir a estiagem e os efeitos da seca no Mato Grande
O Fórum de Desenvolvimento Territorial do Mato Grande – FOMAG vem através deste, convocar todas as Instituições que o compõem, para participarem de um Seminário que discutirá a Estiagem e os Efeitos da Seca no Mato Grande.

         Local: Câmara de Vereadores de João Câmara/RN;
        Data: 19 de dezembro de 2012;
        Hora: 9h.

Para contribui com a discussão, temos confirmada a presença do Dep. Estadual do PT Fernando Mineiro, que já realizando estes encontros em outras regiões do Estado, e que enriquecerá o nosso debate no momento.

Pedimos o envolvimento dos companheiros/as na mobilização dos em seus municípios, para que todos estejamos bem representados, tanto pelo Poder Público com pela Sociedade Civil organizada.



Certos de podermos contar com seu envolvimento e presença, nos despedimos.


Atenciosamente,


José Jubenick Pereira da Silva
Coord. do FOMAG

Cresce dependência de insumos importados


Potência ascendente do agronegócio, com participações crescentes nas exportações de alguns dos principais produtos do setor comercializados no mundo, o Brasil depende cada vez mais de insumos importados para fomentar sua produção agropecuária e atender às demandas externa e doméstica por commodities, alimentos processados e biocombustíveis.
Estudo elaborado pelo Departamento do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Deagro/Fiesp) a partir de dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) aponta que, em 2012, as importações de insumos por parte dos segmentos de fertilizantes, defensivos, máquinas e implementos, nutrição animal e saúde animal deverão somar US$ 18,593 bilhões.
Mais do que um crescimento de quase 10% em relação ao montante do ano passado (US$ 16,956 bilhões), a projeção marca o quarto ano consecutivo de avanço das importações desses insumos e representa um salto de 123%, ou de mais de US$ 10 bilhões, na comparação com o valor de 2007, ano-base do estudo. E não fosse a crise internacional de 2008, a tendência poderia ter sido até mais evidente.
Em 2007, as importações de insumos agropecuários por parte dos segmentos destacados pela Fiesp atingiram US$ 8,340 bilhões, montante que ascendeu para US$ 15,656 bilhões no ano seguinte, quando as commodities em geral - inclusive petróleo e metais - testaram máximas históricas antes que a quebra do banco Lehman Brothers deflagrasse o arrefecimento da tendência.
Nesse contexto, as importações de insumos dos segmentos que fazem parte do levantamento da Fiesp recuaram para US$ 9,387 bilhões em 2009 e aumentaram moderadamente em 2010, para US$ 11,305 bilhões. "Parte das importações é necessária, mas é preciso mensurar os riscos dessa crescente dependência. Nosso estudo é um alerta", diz Antonio Carlos Costa, gerente do Deagro.
Para efeito de comparação, as importações desses insumos representarão, em 2012, 8% do valor bruto da produção (VBP) das 20 principais culturas agrícolas do país estimado pelo Ministério da Agricultura (R$ 233,836 bilhões). Em 2007, as importações desses insumos foram equivalentes a 4,8% de um VBP calculado pelo ministério em R$ 175,062 bilhões.
Das áreas que fazem parte do levantamento, a que mais pesa sobre as importações é a de fertilizantes, que historicamente depende de produtos de fora para atender a cerca de 70% da demanda doméstica. Em 2012, as compras no exterior de fertilizantes intermediários e matérias-primas para a produção de adubos deverão atingir US$ 10,94 bilhões, ou 58,8% do valor total estimado pela Fiesp para os insumos do levantamento.
Das três fontes básicas de nutrientes para a produção de fertilizantes agrícolas, a dependência brasileira é maior no potássio, escasso no país. Em 2010, as importações cobriram 91% da demanda interna por potássicos. Nos derivados do nitrogênio, a fatia das importações em 2010 foi de 76%, e nos derivados do fosfato ficou em 43%.
Com os investimentos em curso e os previstos, a Fiesp projeta que a participação das importações será cadente até 2021. Nos fosfatados, recuará para 35%, nos nitrogenados para 43% e nos potássicos, para 81%. A mineradora Vale lidera a produção brasileira de fosfatados e a Petrobras, a de nitrogenados.
Conforme David Roquetti Filho, diretor-executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), os investimentos de fato aportados para a ampliação da oferta brasileira deverão chegar a US$ 2,877 bilhões em 2012 (a maior parte em fosfatados), ante US$ 838,2 milhões em 2011. A redução da dependência no potássio no longo prazo conta com a "ajuda" de um projeto da Vale na Argentina com a promessa de direcionar 90% da oferta para o Brasil.
No caso do nitrogênio, o segmento tem boas expectativas em relação ao aumento da oferta de gás natural em tempos de pré-sal. O gás representa 80% da amônia, por exemplo. Mas, para irrigar a produção de fertilizantes, esse aumento depende de decisões políticas sobre os destinos do gás, que move automóveis, alimenta usinas térmicas e abastece residências, entre outros muitos fins.
Para o segmento de defensivos(agrotoxicos) a previsão da Fiesp para as importações de insumos em 2012 sinaliza um crescimento de 10% em relação ao ano passado, para US$ 4,525 bilhões, ou 24,3% do total. É um valor quase três vezes superior ao registrado em 2007, e de lá para cá o crescimento se deu em praticamente todas as classes de produtos.
Ainda que exista uma produção importante do princípio ativo glifosato, base dos defensivos mais vendidos no país, mesmo nesse caso a demanda é complementada por importações. Para o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag), o "Custo Brasil" limita a expansão da produção local, o que deixa o caminho aberto para os importados em um dos mercados mais cobiçados do mundo.
Em larga medida, a disseminação das compras de produtos genéricos na Ásia, sobretudo na China - que acirrou a concorrência com os produtos patenteados das grandes empresas do ramo, a maior parte multinacionais - também colabora para dificultar mudanças significativas nesse tabuleiro.
Ivan Amancio Sampaio, gerente de informação do Sindag, informa que, em 2011, as vendas de genéricos no Brasil somaram US$ 3,7 bilhões, ou 43% do total. As vendas de "especialidades", os produtos patenteados, alcançaram US$ 4,8 bilhões. Essa divisão percentual segue praticamente inalterada.
No segmento de máquinas e implementos, onde o "Custo Brasil" também limitam investimentos, as importações dobraram desde 2007 e deverão alcançar US$ 1,809 bilhão em 2012.
Na área de nutrição animal - cujas importações de insumos deverão atingir US$ 986 milhões este ano, 81,3% mais que em 2007 -, a dependência se concentra nos produtos à base de química fina utilizados nas composições das rações, afirma Mario Sergio Cutait, diretor titular adjunto do Deagro.
No segmento de saúde animal - que deverá importar US$ 333 milhões em 2012, aumento de 16% na mesma comparação -, são vitais as compras de matérias-primas de fora para a fabricação de produtos veterinários, num cenário que não difere muito do que vigora nos medicamentos da área humana, segundo ressalta Milson da Silva Pereira, diretor-executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).



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Seminário nacional apresenta novas medidas do Crédito Fundiário

FOTO: Arquivo Pessoal

Teve início nesta terça-feira (11 de dezembro) o V Seminário Nacional do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), que reuniu em Pirenópolis (GO) cerca de 300 participantes, entre gestores estaduais, representantes dos movimentos sociais de trabalhadores na agricultura (CONTAG, Fetraf, PJR e MPA), representantes das entidades parceiras, beneficiários do programa e servidores da Secretaria de Reordenamento Agrário (SRA) do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

A abertura oficial ocorreu pela manhã e contou com a presença do ministro do MDA, Pepe Vargas. Em seu discurso, o ministro falou da importância do Crédito Fundiário como política de inclusão e autonomia do jovem agricultor e da responsabilidade de todos que ali estavam na operacionalização do programa, a partir da consolidação das novas medidas.

A parte da tarde foi iniciada com o depoimento da agricultora familiar Maria Ivonete da Silveira, de Silverania (MG), que acessou o PNCF em 2010, depois de trabalhar de assalariada em terras de parentes. Ivonete mostrou em um pequeno vídeo o sucesso já conquistado e contou os planos de quitar o financiamento ainda no ano que vem. “Sou de origem sertaneja, agricultora de carteirinha e amo a terra! Agradeço sempre ao programa por ter nos dado – a mim e a minha família – a chance de viver dela (da terra)”, comentou emocionada a beneficiária.

Em seguida, o secretário de Reordenamento Agrário, Adhemar Almeida, abriu efetivamente os trabalhos com a apresentação do conjunto de medidas que buscam o aprimoramento e a melhoria do PNCF - e aguardam aprovação na próxima reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), prevista para o dia 20/12. Entre elas, destacam-se: redução na taxa de juros; a melhoria nos procedimentos de repactuação das parcelas em atraso; a universalização da ATER; a paridade regional nas linhas CPR e CAF; a criação da linha específica para a juventude; o seguro para quem perde a safra em decorrência de fenômenos climáticos e outras importantes mudanças e adequações que poderão ocorrer no programa. Ao final, foi aberto um amplo debate onde os participantes puderam sanar dúvidas e aprofundar o conhecimento no conjunto das novas medidas.

O secretário de Política Agrária da CONTAG, Willian Clementino, destacou a importância do PNCF para a população rural. “Os vários avanços do programa são resultado das propostas apresentadas pelo Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR) e são muito importantes. Porém, temos o desafio de avançar mais, principalmente no seu aperfeiçoamento para adequá-lo às necessidades e à realidade dos trabalhadores e trabalhadoras rurais”, avaliou o dirigente.

Atividades programadas
Nos dois primeiros dias de evento serão apreciados e discutidos o conjunto de medidas de melhoria para o PNCF - gestão e operacionalização, o GT de ATER, as novas medidas para renegociação de dívidas, a Universalização da ATER, entre outros temas.

Os dias 13 e 14 serão dedicados para o trabalho em grupo, regionalizado, no qual gestores, técnicos, parceiros e agricultores farão uma avaliação das novas medidas do programa e apresentarão as estratégias para a operacionalização do PNCF nos seus estados, a partir das novas medidas.
FONTE: Soraya Brandão (SRA/MDA) - Verônica Tozzi (Imprensa CONTAG)